Por: José
Ozildo dos Santos
Foi o último
senador norte-riograndense do Império. Nasceu a 9 de novembro de 1829, na
antiga ‘Fazenda Chaves’, no município de Pilar, Província da Paraíba, sendo
filho de Diogo Velho Cavalcanti Albuquerque e Ângela Sofia Cavalcanti Pessoa.
Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de
Olinda, na turma de 1852. Ainda acadêmico de Direito, juntamente com Olinto
José Meira (futura Presidente do Rio Grande do Norte), integrou o corpo
redacional da ‘ALVA’, a primeira revista literária, que circulou na Cidade da
Paraíba do Norte.
Diplomado,
iniciou suas atividades profissionais como Promotor Público da Comarca de
Areia, no Brejo paraibano, nomeado em princípios de 1853. Naquela cidade,
ingressou na política, elegendo-se deputado provincial para a legislatura de
1854-1855, pelo Partido Conservador, do qual, tornou-se seu dirigente na
Paraíba.
DIOGO VELHO
CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE
Reeleito em
1856, deixou a Assembléia Legislativa Provincial no ano seguinte, após ter sido
eleito deputado geral (1857-1860), representando o distrito eleitoral, sediado
em Areia, derrotando no referido pleito Joaquim Henriques da Silva, renomado
professor de língua latina. Reeleito para as legislaturas de 1861-1864,
1867-1870 (dissolvida a 18 de julho de 1868) e 1873-1876, ao transferir-se para
à Corte, passou a chefia do Partido Conservador na Província ao Dr. Anísio
Salatiel Carneiro da Cunha, seu antigo colega de turma concluinte na Faculdade
de Direito, em Olinda, a quem, em 1871, associou-se num empreendimento, visando
construir uma linha férrea, ligando a capital paraibana à Vila de Alagoa
Grande, que, por falta de recursos, não teve êxito.
Na Assembléia
Geral, Diogo Velho teve uma atuação destacada. Por Carta Imperial de 8 de março
de 1862, foi nomeado 2º Vice-Presidente da Província da Paraíba. E,
encontrava-se ainda no exercício de suas funções parlamentares, quando foi
escolhido por Dom Pedro II, para governar o Piauí, tendo administrado aquela
província de 5-11-59 a 12-07-60. Homem probo, presidiu também as
províncias do Ceará (27-08-1868 a 25-07-1869) e Pernambuco (30-10-1870 a 26-10-1871).
No exercício da presidência dessa última província, lançou a pedra fundamental
para a construção do ‘Liceu de Artes e Ofícios’.
Diplomata,
monarquista histórico, foi Ministro da Agricultura (1870), da Justiça
(1875-1877) e dos Estrangeiros (1877-1878), nos Ministérios de Itaboraí e
Caxias, além de ter integrado o Conselho do Império (1889) e sido Diretor da
Instrução Pública da Província da Província da Paraíba (1861).
Em junho de
1876, falecendo Francisco de Sales Torres Homem (Visconde de Inhomirim), que
representava o Rio Grande do Norte no Senado do Império, Diogo Velho teve seu
nome incluído em lista tríplice, juntamente com Tarquínio Bráulio de Souza
Amaranto e Francisco Gomes da Silva. Escolhido a 4 de janeiro de 1877,
tornou-se o 6ª Senador da Província do Rio Grande do Norte, tomando posse a 6
de março do referido ano, permanecendo no Senado até a Proclamação da
República. Como Senador, defendeu a regularização da propriedade literária no
Brasil e a concessão de patentes de invenção.
Por seus
relevantes serviços prestados ao Império, foi agraciado com as Comendas da
Ordem de Cristo, Grão Cruz da Vila de Viçosa de Portugal e da Coroa Real da
Prússia, tendo ainda recebido das mãos de Dom Pedro II, a coroa de visconde.
Em 1889, foi
designado Comissário Geral do Império à Exposição Universal de Paris e ali
encontrava-se quando foi proclamada a República. Fiel à Monarquia, exilou-se
voluntariamente naquela cidade, onde permaneceu com sua família por quase dez
anos. Casado com Amélia Machado Coelho da Costa, a Viscondessa de Cavalcanti -
a ele deve-se a fundação do ‘Asilo de Mendicidade’ do Rio de Janeiro. Sua
esposa, mulher de rara beleza, era profunda estudiosa da Numismática e publicou
vários trabalhos sobre as moedas brasileiras e estrangeiras.
Homem culto, o
Dr. Diogo Velho era versado no idioma francês e nele publicou vários livros,
abordando temas jurídicos, entre eles ‘Aperçu Politique - Droit Administration’
(Paris, Librairie Collillon, 1896), que aborda as leis publicadas no Brasil,
durante o período de 1891 a 1896, além de uma novela, intitulada
‘Mariana’.
Jornalista da
melhor escol, atuou como redator d’A Imprensa’, jornal político, literário e
noticioso, dirigindo pelo Barão de Abiaí, na capital paraibana, que circulou de 1857
a 1862. Paraibano dos mais ilustres e possuidor de uma longa folha de
relevantes serviços prestados ao país, o Dr. Diogo Velho Cavalcanti de
Albuquerque retornando ao Brasil, faleceu a 14 de julho de 1899, em Juiz de
Fora, Estado de Minas Gerais, onde fixou residência, buscando alívios para seus
males.
Extraído do blog "Construindo a História", do pesquisador
José Ozildo dos Santos.
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